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As Correntes no Sul

As Correntes no Sul – Salmo 126

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Salmo 126: a alegria da restauração

  1. Quando o Senhor trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham.
  2. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de cântico. Então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o Senhor a estes.
  3. Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres.
  4. Traze-nos outra vez, ó Senhor, do cativeiro, como as correntes das águas no sul.
  5. Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria.
  6. Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.

As correntes de água no deserto

O salmista compara as alegrias surpreendentes que, às vezes, enchem o nosso coração às correntes de água que formam periodicamente rios no sul de Judá. Essa imagem revela como Deus pode transformar uma situação de aridez em abundância e vida.

Essa região desértica é conhecida como Neguev, ou Neguebe, nome que significa seco. Trata-se de um território extremamente árido, com grandes extensões de terra improdutiva, localizado no sul de Israel, ao sul de Hebrom e a sudoeste do Mar Morto.

Entretanto, nenhum lugar poderia ser mais significativo para a história do povo de Israel. Foi nessa região que Abraão peregrinou e encontrou o Todo-Poderoso. Além disso, foi ali que Elias buscou renovar suas forças no Senhor diante das ameaças de Jezabel, conforme lemos em 1 Reis 19:1-18.

Quando chove abundantemente, a chamada chuva serôdia cai nas partes mais altas das montanhas de Judá. Em seguida, as águas escorrem pelo deserto, e a terra árida se transforma em um rio que produz vida. Essas torrentes são conhecidas como as correntes do Neguebe.

Depois, quando a água evapora e o rio desaparece, o deserto pode se transformar em um manancial de belas flores, algumas encontradas somente naquela região. Assim, a paisagem nos ensina que a aridez não precisa ser permanente: a água pode voltar e renovar a vida.

A água como símbolo na Bíblia

A imagem das águas percorre toda a Bíblia. Logo no segundo versículo do primeiro capítulo de Gênesis, lemos: “E o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”. Já no último capítulo de Apocalipse, no versículo 17, encontramos o convite: “E quem quiser, tome de graça da água da vida”.

Portanto, a água também nos ajuda a compreender a renovação espiritual. Assim como as correntes do Neguebe devolvem vida ao deserto, Deus pode renovar a esperança e a alegria daqueles que confiam nele.

Os Cânticos de Romagem

O Salmo 126 faz parte de uma coleção de quinze salmos, do 120 ao 134, que o povo de Israel cantava durante suas peregrinações. Por isso, eles também são chamados de Cânticos dos Degraus ou Cânticos de Romagem.

Quatro desses salmos são atribuídos a Davi, enquanto o Salmo 127 identifica o rei Salomão como autor. Os demais são anônimos. Quanto ao Salmo 126, seu autor pode ter sido alguém que experimentou o retorno do cativeiro.

As mensagens desses cânticos orientam os fiéis a buscar e louvar ao Senhor, independentemente das circunstâncias. Desse modo, eles mostram que as dificuldades não devem destruir a confiança dos justos em Deus.

Além disso, os Cânticos de Romagem apresentam uma progressão. O Salmo 120 começa com um adorador fiel vivendo em uma terra distante, entre estrangeiros e longe do monte do Senhor.

À medida que os peregrinos se aproximavam do monte Sião, da cidade de Jerusalém e da casa do Senhor, a expectativa da adoração certamente crescia. Por fim, o Salmo 134 termina com uma expressão de louvor ao Senhor.

Deus transforma lágrimas em alegria

Os versículos 5 e 6 do Salmo 126 destacam a capacidade que Deus tem de restaurar a vida. Ele transforma nossas lágrimas em alegria e, simbolicamente, permite que elas reguem as sementes que produzirão uma colheita abundante.

Essa mensagem é um consolo para todos os que choram. Embora a tristeza faça parte de algumas fases da vida, ela não precisa representar o nosso destino final. Em Deus, podemos encontrar forças para continuar semeando, mesmo em meio às lágrimas.

O primeiro versículo do Salmo 126 recorda o retorno do povo judeu a Sião depois do cativeiro na Babilônia. O salmista olha para o passado e descreve aquela experiência com verbos que expressam algo já vivido: o Senhor trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, e eles estavam como os que sonham.

No entanto, o versículo 4 apresenta uma súplica: “Traze-nos, outra vez, ó Senhor, do cativeiro”. Aqui, o salmista pede que Deus renove a experiência de restauração.

Esse versículo é tão profundo que podemos deixar passar despercebido o seu verdadeiro significado. Por isso, precisamos observar com atenção a imagem que ele apresenta.

O significado de “Traze-nos outra vez”

A primeira parte do versículo é uma metáfora. Ao dizer “Traze-nos outra vez”, o salmista pede que Deus lhes permita viver novamente aquele tempo feliz, quando regressavam à pátria com o coração cheio de alegria e esperança.

Naquela ocasião, a boca se encheu de riso, e a língua, de cântico. Agora, o salmista deseja experimentar novamente aquela alegria. Afinal, lembrar as bênçãos do passado também pode fortalecer a esperança no presente.

Nós já saímos do cativeiro! Não podemos viver como se ainda estivéssemos nele: subjugados, amargurados e angustiados. Por isso, precisamos pedir ao Senhor que renove em nós a alegria e a esperança, assim como as correntes de água voltam a correr no sul.

Quando as chuvas param, tudo parece seco ao redor. Contudo, as águas podem voltar, transbordar e dar vida ao deserto, fazendo-o florescer novamente. Da mesma forma, não devemos permitir que os períodos de tristeza nos façam esquecer o poder restaurador de Deus.

Precisamos voltar ao primeiro amor

É muito doce falar sobre aquilo que nos encanta. Entre essas coisas estão as figuras de linguagem, tão presentes nas Escrituras. Por meio delas, a Bíblia transmite verdades profundas com imagens que tocam o coração.

Precisamos voltar ao primeiro amor. Em Apocalipse 2:4, o Senhor adverte: “Abandonaste o teu primeiro amor”. Portanto, devemos examinar o nosso coração e buscar novamente a proximidade com Deus.

Da mesma forma, precisamos voltar à alegria pura e singela que experimentamos quando abraçamos a fé. Davi expressou esse desejo no Salmo 51:12: “Torna a dar-me a alegria da tua salvação”.

Além disso, Neemias 8:10 nos lembra: “Não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força”. Essa verdade nos encoraja a buscar em Deus a força necessária para enfrentar as dificuldades.

O início da nossa caminhada cristã pode ter sido marcado por muito regozijo. Ainda assim, temos motivos para continuar nos alegrando, pois, como afirma Romanos 13:11, “a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé”.

Vivamos como as torrentes do Neguebe

Precisamos viver como as torrentes do Neguebe: o leito seco pode se transformar em um ribeiro transbordante e impetuoso, porque as chuvas voltam e trazem vida.

Assim também, quando a tristeza parece dominar o nosso coração, podemos buscar em Deus a renovação da esperança. Então, a tristeza dá lugar à alegria que jamais acabará.

A Palavra de Deus nos oferece essa promessa em Isaías 35:10: “E os resgatados do Senhor voltarão, e virão a Sião com júbilo; e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido”.

Que essa promessa fortaleça a nossa fé! Mesmo quando atravessamos períodos de aridez, podemos confiar que Deus continua sendo a fonte de vida, consolo e restauração.

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