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História do Projeto Alfa: Desde 1962

ALFA: Da Bíblia à Alfabetização — uma história que começou em 1962

A história do Projeto ALFA está ligada a uma trajetória mais ampla da educação, da leitura e do uso da Bíblia como instrumento de ensino.

Para compreender como essa experiência surgiu em 1962, é necessário voltar alguns séculos e observar como a educação passou, gradualmente, de diferentes espaços da sociedade para a estrutura do ensino público.

Século XVI — A Bíblia e a necessidade de ler

A partir do século XVI, especialmente com a Reforma Protestante, a leitura da Bíblia ganhou ainda mais importância em diferentes comunidades cristãs europeias.

Nesse contexto, saber ler passou a ter também uma finalidade religiosa. A possibilidade de ter contato direto com as Escrituras reforçou a valorização da alfabetização.

Assim, Bíblia, leitura e educação passaram a estar fortemente relacionadas em determinados ambientes religiosos.

Antes da escola pública — Família, Igreja e comunidade

Durante muito tempo, não existia uma rede pública de ensino nos moldes que conhecemos atualmente. A educação acontecia em diferentes espaços e de acordo com as condições de cada comunidade.

A família tinha papel fundamental. Além disso, a Igreja, mestres particulares e organizações comunitárias também participavam da transmissão do conhecimento.

Dessa forma, o ensino da leitura e da escrita não estava concentrado em uma única instituição.

1759 — A instrução começa a passar para o Estado

No século XVIII, ocorreu uma mudança importante na organização do ensino em Portugal e em seus territórios. Em 1759, o Marquês de Pombal determinou a expulsão dos jesuítas dos domínios portugueses.

A medida provocou uma ruptura institucional importante. A educação que anteriormente contava fortemente com a estrutura jesuítica passou a ser reorganizada pela Coroa portuguesa.

A mudança não aconteceu de um dia para o outro.

A partir de então, iniciou-se uma transição na qual o poder público passou a assumir progressivamente maior responsabilidade pela organização da instrução. Foi um processo histórico gradual, e não uma substituição imediata de Igreja por Estado.

Século XVIII — A Escola Dominical e a alfabetização

Enquanto a organização estatal do ensino começava a ganhar espaço, outras iniciativas continuavam atendendo pessoas que permaneciam fora das estruturas formais de educação.

Na Inglaterra do século XVIII, surgiram experiências que ficaram conhecidas como Escola Dominical. Entre seus objetivos estava oferecer instrução a crianças que trabalhavam durante a semana.

Nesse contexto, a leitura e a escrita estavam entre os conhecimentos ensinados, juntamente com formação moral e religiosa.

Para conhecer especificamente essa origem, veja também:

A Escola Dominical e a alfabetização → conheça sua origem

Séculos XIX e XX — Expansão da escola pública

Nos séculos seguintes, os sistemas públicos de educação foram se estruturando e se expandindo em diferentes países.Consequentemente, a alfabetização passou cada vez mais a ser incorporada às instituições escolares organizadas pelo poder público.Ao mesmo tempo, igrejas e organizações religiosas continuaram desenvolvendo atividades de ensino, especialmente na formação religiosa e comunitária.

Século XIX — A educação pública no Brasil

No Brasil, esse processo também ocorreu de forma gradual. A Constituição de 1824 estabeleceu princípios relacionados à instrução pública e, posteriormente, a Lei de 15 de outubro de 1827 tratou da criação de escolas de primeiras letras.

Entretanto, a expansão efetiva da educação escolar ocorreu ao longo de um processo muito mais amplo, que atravessou o século XIX e chegou ao século XX.

Portanto, a história da educação brasileira não pode ser compreendida como uma simples substituição imediata da educação religiosa pela educação estatal. Houve diferentes fases, instituições e experiências convivendo durante esse processo.

1962 — Nasce a experiência que daria origem ao ALFA

É nesse cenário histórico que surge, no Brasil, uma experiência diferente de alfabetização.

Em 1962, em Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul, Gilberto Stêvão iniciou uma experiência que utilizava a Bíblia como instrumento para o ensino da leitura e da escrita.

A proposta partia de uma ideia simples e, ao mesmo tempo, significativa: utilizar um texto conhecido e valorizado pela comunidade como instrumento de aprendizagem.

1962 marca o início da experiência que daria origem ao Projeto ALFA.

A proposta relacionava alfabetização, leitura da Bíblia e continuidade da aprendizagem, recuperando, em um novo contexto, uma relação histórica entre Bíblia e educação.

1986 — Consolidação do Projeto ALFA

Depois de mais de duas décadas de desenvolvimento, experiências e aperfeiçoamento, o trabalho foi consolidado como Projeto ALFA — Alfabetização pela Bíblia e Pós-Alfabetização.

A partir dessa consolidação, a proposta passou a contar com uma metodologia própria, organizada para acompanhar não apenas o processo inicial de alfabetização, mas também a continuidade da aprendizagem.

Assim, 1962 representa o início da experiência, enquanto 1986 representa sua consolidação como Projeto ALFA.

Uma história que continua

A história do Projeto ALFA começa, portanto, muito antes de sua consolidação formal. Ela se insere em uma trajetória histórica na qual Bíblia, leitura, alfabetização e educação estiveram relacionados em diferentes épocas e contextos.

Em 1962, essa relação ganhou uma nova aplicação no trabalho iniciado por Gilberto Stêvão. Posteriormente, em 1986, a experiência foi consolidada como:

Projeto ALFA — Alfabetização pela Bíblia e Pós-Alfabetização.

Desde então, a proposta continua tendo como princípio a utilização da Bíblia como instrumento de alfabetização e formação, mantendo uma história que começou em 1962 e continua em desenvolvimento.

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